Copom decide pela manutenção da SELIC em 15%

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% na última reunião realizada, e o comunicado reforçou o tom de cautela, sem sinalizar cortes no curto prazo. Esta é a terceira reunião sem cortes, desde que a Selic atingiu 15% em junho.

A expectativa de parte do mercado era de que o Banco Central ajustasse as expressões usadas nos últimos comunicados, abrindo espaço para uma maior flexibilidade na política monetária nas próximas reuniões.

O Comitê reforçou o tom de cautela na condução da política monetária, e manteve o trecho em que cita a manutenção dos juros em patamar elevado por período prolongado: “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.”

O mercado esperava uma sinalização mais suave sobre a política monetária. “Há um cenário de desinflação, melhora gradual da expectativa de inflação e um juro real ainda entre os mais altos do mundo – o que permitiria uma postura mais branda sem comprometer a credibilidade da política monetária”, avaliou um especialista em investimentos da Nomad.

A decisão reforça o compromisso com o controle da inflação, que segue próxima do teto da meta, e reflete preocupações com o cenário fiscal e a resiliência do mercado de trabalho.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a manutenção da Selic é um “duro golpe” na economia e na competitividade da indústria. Segundo ele, com a expectativa de inflação nos próximos 12 meses de 4,06%, o juro real no ano fica acima de 10%, o que inibe o investimento produtivo, afeta o consumo das famílias e penaliza especialmente as camadas de menor renda.

Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor de construção recebeu com preocupação a manutenção da taxa básica de juros em 15%. “O prolongamento ameaça frear investimentos na construção, comprometendo novos lançamentos imobiliários e a geração de empregos”, avalia.

 

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